Pecar por desconhecimento é até compreensível, mas pecar por má fé é ridículo. A data estabelecida para os bilhões de reais em investimentos de infraestrutura começarem a ser aplicados pelo país a fora para não atrasar as obras da Copa do Mundo de 2014 é esta quarta-feira, 10. Essa foi a previsão estabelecida pela FIFA à CBF e ao governo brasileiro. Entretanto, nenhum mísero centavo foi gasto para levantar ao menos uma parede.
Não critico por que sei que o dinheiro não cai do céu, muito não se dá em árvore. Existe todo um trâmite burocrático, licitatório, licenciamentos ambientais e demais, para ser respeitado. Até mesmo os empréstimos junto ao Bando Nacional do Desenvolvimento (BNDES) – instituição financiadora dos recursos das obras de infraestrutura como construção de estradas, ferrovias, estádios, hotéis e demais ferramentas fundamentais para a instituição de uma Copa do Mundo - está sendo ainda em fase inicial.
O que incomoda ainda mais são os ‘leigos’ colunistas ou colegas da imprensa alagoana que alardam por aí os motivos pelo qual Alagoas não entrou no roteiro das cidades-sedes do Mundial de 2014.
Para se ter uma ideia, a empresa responsável para apresentar o projeto à CBF cobrou a módica bagatela de mais ou menos R$ 200 mil para apenas expôr as intenções alagoanas. Claro, sem garantia alguma de vencer a disputa junto a outros centros futebolísticos ainda mais bem estruturados e poderosos financeiramente.
Vamos cair na real. Alagoas não tem dinheiro em caixa para jogar pela janela, já que era, naquele momento, uma concorrência incerta. O Estado deve em primeiro lugar resolver seus problemas comuns, como a miséria, o desemprego, a violência.
Tudo bem que todo o país sofre com esses fantasmas. Porém, na Terra dos Marechais eles são ainda mais assustadores. Também levo em consideração que caso Alagoas tivesse concorrido e ganho a peleja, a quantidade de investimentos seria descomunal, mas como lembrei, nada era certo. E Alagoas não se pode dar a esse luxo de jogar o dinheiro público assim a esmo e sem segurança alguma.
Enfim, ficamos então na torcida pelo Brasil mesmo de um pouco longe. Uma pena, mas é a realidade.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O que você queria ser quando crescesse?

O que você quer ser quando crescer? Essa pergunta todos nós ouvimos aos montes quando ainda estávamos usando bermuda na escola. Certa vez encontrei com uma daquelas que foi minha professora nos idos do antigo primeiro grau. Dona Socorro, saudosa como ela só, me lembrou de um epsódio que chamou a atenção de minha precoce turma de 3ª série.
Segundo a memória da lecionadora, ela fez a célebre pergunta na sala: O que vocês querem ser quando crescerem? A pergunta encabeçava uma redação para a turma redigir. Ao término da aula, entregamos a redação e ela me chama.
"Ô meu amor, o que você quer se quando crescer mesmo?", questionou a senhora. Eu fui e na lata respondi: "Quero ser arqueólogo". Ela foi e me indagou sobre o que seria tal ofício. Eu sem pestanejar e com os olhos brilhando respondi que era a profissão do Indiana Jones - personagem de Harison Ford no cinema onde ele personifica a saga de um arqueólogo caçador de tesouros perdidos.
Sou fã do personagem desde criança e a partir daí começei a pesquisar sobre a profissão. Ainda no final dos anos 80 e início dos 90, descobri que faculdade de Arqueologia no Nordeste, apenas no Piauí. Lá se foi meu sonho. Em seguida, enebriado pelo sucesso de Top Gun - Ases Indomáveis, queria ser piloto. Como criança se ilude fácil, mas foi passageiro esse lance de piloto.
Ainda incentivado por um amigo, fiz a prova das Agulhas Negras, em Recife, e então ingressar na Academia de Preparação de Cadetes da Marinha (APCM). Nada, mais uma vez em vão. Já no desenrolar do 2º grau, começei a flertar com o Direito. Ainda prestei dois vestibulares, sem sucesso.
Foi então que um amigo meu, Diogo Braz, me sugeriu o jornalismo. Ele já o cursava e disse que o eu tinha alguma relação com o curso. Cá estou....
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Inevitável

Você gostando ou não, acaba tendo que suportar. É chegado fevereiro que o brasileiro já fica num pé e outro. É uma agonia, uma afobação...aaafff! Mas é isso mesmo, mesmo para aquelas pessoas que não são fãs do Carnaval ou aquelas que são alucinadas pela Festa de Momo, a mensagem é a mesma: folga!!!!!
É que cada um aproveita esse feriadão do jeito que mais lhe convém. Seja beijando todos e andando atrás dos trios elétricos baianos, ou descendo e subindo ladeira da tradicional Olinda, ou na Marques de Sapucaí, no Rio, o Carnaval é isso, acima de tudo nos despojamos da carapaça cotidiana e nos travestimos - tem gente que leva isso muito a sério - mas enfim, o que vale é curtir, mesmo que cada um ao seu modo.
Eu particularmente já fui sim daqueles ávidos foliões. Não podia ouvir uma lata batendo que lá estava. Porém, hoje sou mais sossegado e prefiro um descanso da brisa praieira. Algumas cervas para refrescar, bom papo, minha mulher e quem vier para animar o ambiente. Mas nada escandaloso ou estridente.
Em algumas cidades o frevo já estremece as bocas de som e os ritmistas estão à postos. Os baianos e visitantes da Terra de Todos os Santos já começam a pegar seus abadás. De canto a canto do país, o brasileiro não perde o pique e não fica parado nesse próximo fim de semana que se inicia dia 12 e vai até Deus sabe quando.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Uma boa agenda

A principal lição que tive ao passar quatro anos na produção de uma emissora de Tv foi a de cultivar uma agenda de telefones. Quanto mais rica em contatos e personagens, mais valiosa ela se torna. O hilário foi que mesmo com minha saída, pediram minha agenda para tirar uma cópia. Fiquei feliz, pelo menos isso, mas enfim. Missão realizada.
Hoje sinto falta dessa mania que fomentava há anos atrás. Mesmo atuando em outras funções no jornalismo, não devemos de modo algum esmorecer e pensar que temos todos os contatos que precisamos. "Antes dos contratos, os contato" - esta foi outra lição que tive naqueles dias televisivos. E deu certo.
Antes de ter amigos jornalistas, eu tenho amigos, não apenas por serem do meu ciclo social, nem por encontrá-los em pautas e eventos, mas por afinidade mesmo de pensamento e acima de tudo respeito por eles. Lógico que não pensamos de forma igual, mas a consideração é fundamental para se criar uma rede de relacionamentos sólida e fiel.
Uma boa agenda, uma excelente rede de relacionamentos, tudo isso nos empurra para fora do ostracismo do desemprego. A agenda mostra nosso compromisso com a profissão e a atenção de perceber que um dia poderemos precisar daquela fonte, daquele personagem, ou até de seu futuro patrão, pois certamente ele pode lembrar de você quando precisar de um bom profissional.
Portanto, cada número de telefone que tiver acesso, tome nota. Um dia vai voltar a precisar dele, para o quê num sei, mas vai precisar!!!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Temos que rir.....e muito. Haja filtro solar

Depois de conseguir ultrapassar uma tarde entediante, fui rever alguns vídeos antigos e me inspirei em um bem antigo. Eu o vi pela primeira vez em uma das aulas de minha pós-graduação inconcluída. O vídeo intitulado “Filtro Solar” me deu um ânimo para terminar esse dia improdutivo e acordar para outro dia com mais disposição.
São esses tipos de coisas que nos empurram, sabe. Injetam ‘drena’ na veia, colocam um sorriso em nosso rosto e lembram como somos idiotas em perceber no que está ao nosso redor. No texto narrado por Pedro Bial, ele evoca a liberdade que está dentro de cada um. Ele planta o espírito ‘relax’. Aquele tipo de não ligar pra nada e apenas curtir a vida.
Os conselhos listados dão lições de vida e de como morrer bem. Dançar, sorrir, ler, erguer a cabeça, seguir. Tudo aquilo que nos faz bem, mas em alguns dias precisamos ouvir para pegar no tranco, como carro velho. Ah, e ele lembra que vamos sim ficar velhinhos. O que conta é o que vamos fazer até chegar lá.
Quem não conhece, procure no youtube, e ouça, certamente você ficará mais leve ou com lágrimas nos olhos. Vai rir, ou ao menos, um sorriso amarelo vai aparecer. Vale a pena...
A marca da intolerância

A intolerância religiosa deixou sérias e profundas marcas na história alagoana. Poucos sabem de fato como foi o 2 de fevereiro de 1912. A data ficou marcada com o sangue e com a intransigência de leigos a respeito das religiões afro-brasileiras. O Quebra de Xangô - como ficou conhecido - foi quando as forças desertoras da polícia e, em seguida, as forças oficiais do Estado de Alagoas baniram das terras caetés a manifestação de cultos afros.
Naqueles dias, a capital alagoana, Maceió, estava num clima de guerrilha. Muitos policias militares tinham se desligado do Estado em revolta ao governador Euclides Vieira Malta. A violência assolava as ruas. O vandalismo nas repartições públicas era comum. Porém, era início do mês festivo de Carnaval, e blocos de ruas se misturavam com manifestações impondo a desordem e o caos. Tanto é que o próprio governador tinha se exilado em Recife (PE).
Foi então que no dia 1º de fevereiro, o sr. Manuel Luiz da Paz - que de paz num tinha nada -, comandava o Clube dos Morcegos, um tradicional bloco carnavalesco formado por oficias militares, resolveu por insatisfação e revolta contra o governador, invadir o terreiro de candomblé de Chico Foguinho, antes localizado no bairro da Levada, próximo a sede de seu bloco.
O sr. Manuel invadiu o terreiro, pois segundo diziam, o governador Euclides Malta era protegido por uma entidade do candomblé. E o daz vez foi o de seu Foguinho. A multidão enfurecida entrou no terreiro, quebrou e queimou tudo o que via pela frente. Adornos, santos, vestimentas, objetos sagrados, enfim, nada sobrou.
A zombaria era tamanha que os objetos sequestrados dos terreiros eram exibidos no meio da multidão e no cortejo que se formou em seguida. O pior ficou para a mãe de santo Tia Marcellina. A religiosa era acusada na época de promover orgias e sacrifícios em nome do governador Euclides Vieira Malta. Após o ataque em seu terreiro, Tia Marcellina faleceu sob os golpes de espadas e sabres dos militares.
Pais e mães de santo da época foram violentados moral e fisicamente. A milícia formada não perdoou ninguém. E no dia 2 de fevereiro seguiu para os demais centros afro em Alagoas, agora com a legitimidade do Estado, que para ganhar a simpatia popular autorizou as invasões.
A partir dali, as orações e rituais afros eram realizados silenciosamente, sem o uso de tambores ou atabaques. Os pais e mães de santo sobreviventes foram para Pernambuco ou Bahia.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Três realidades
Pé na estrada! Adoro essa expressão. É quando nos desligamos do cotidiano, seja de trabalho, família, o que for. E nos dias de ausência aqui no blog estive na princesa do Agreste alagoano. Fui fazer a organização da cobertura jornalística da visita do governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, à Arapiraca. No caminho só conseguia pensar no evento e nos problemas para resolver. E aconteceram, natural, porém, foram contornados.
O evento em si foi perfeito, a recepção, a aceitação do público, a cronologia dos compromissos foi muito legal, tudo nos conformes. Mas vim aqui hoje mais para falar de três personagens que me pegaram pela emoção.
Nosso quartel general era o prédio da Governadoria do Agreste. E a secretária de lá, dona Cida, nos recebeu super bem e com toda sua simplicidade nos encantou. Porém, diariamente ela gasta R$ 6 para ir e voltar do trabalho em uma moto táxi. Não é fácil. A segunda personagem foi dona Solange. Ela trabalha no Serviço Geral do prédio. Sempre com boa conversa era minha companheira em nossa base. Quando ficava sozinho na redação instalada lá, ela vinha e ficava conversando. Falou sobre o orgulho dos filhos, o abandono do marido, sua fé em Deus, enfim, suas histórias e causos.
Nós conversamos bastante e até tive a liberdade de dar conselhos para a senhora. A partir dali ganhei uma segunda mãe, pelo menos naquelas horas que lá estava. Dona Solange levava biscoito, água, café, boa companhia, até tomei banho nas instalações. Foi um anjo que nos acompanhou até o final do expediente. E claro, prontamente pedi ao meu motorista para levá-la em casa. Despedindo-me com um forte abraço e abençoado pelas preces e energias positivas desejadas por ela.
A última pessoa foi dona Aurelina, proprietária de um pequeno bar na rodoviária local. Os santinhos dos candidatos dela fincados na parede não impediram que a obra de ampliação do terminal invadisse boa parte de seu estabelecimento e cozinha. Como uma simples e indefesa trabalhadora, ela não tem a força para reclamar contra tamanha injustiça.
Nossa equipe tomou as dores da doce dona Aurelina e prometemos rogar por ela junto aos responsáveis pela obra. Foi quando os olhos se marejados de emoção e a lágrima de gratidão rolou no rosto. Inúmeros foram as graças e os agradecimentos proferidos pela senhora. E vamos reclamar.
É por essas e outras que adoro percorrer esses caminhos de minha Alagoas. Por aí conheço gente, vejo a realidade do povo, as histórias e as vidas que vagam. É bom e segue mais uma estação, que venha a próxima viagem.
O evento em si foi perfeito, a recepção, a aceitação do público, a cronologia dos compromissos foi muito legal, tudo nos conformes. Mas vim aqui hoje mais para falar de três personagens que me pegaram pela emoção.
Nosso quartel general era o prédio da Governadoria do Agreste. E a secretária de lá, dona Cida, nos recebeu super bem e com toda sua simplicidade nos encantou. Porém, diariamente ela gasta R$ 6 para ir e voltar do trabalho em uma moto táxi. Não é fácil. A segunda personagem foi dona Solange. Ela trabalha no Serviço Geral do prédio. Sempre com boa conversa era minha companheira em nossa base. Quando ficava sozinho na redação instalada lá, ela vinha e ficava conversando. Falou sobre o orgulho dos filhos, o abandono do marido, sua fé em Deus, enfim, suas histórias e causos.
Nós conversamos bastante e até tive a liberdade de dar conselhos para a senhora. A partir dali ganhei uma segunda mãe, pelo menos naquelas horas que lá estava. Dona Solange levava biscoito, água, café, boa companhia, até tomei banho nas instalações. Foi um anjo que nos acompanhou até o final do expediente. E claro, prontamente pedi ao meu motorista para levá-la em casa. Despedindo-me com um forte abraço e abençoado pelas preces e energias positivas desejadas por ela.
A última pessoa foi dona Aurelina, proprietária de um pequeno bar na rodoviária local. Os santinhos dos candidatos dela fincados na parede não impediram que a obra de ampliação do terminal invadisse boa parte de seu estabelecimento e cozinha. Como uma simples e indefesa trabalhadora, ela não tem a força para reclamar contra tamanha injustiça.
Nossa equipe tomou as dores da doce dona Aurelina e prometemos rogar por ela junto aos responsáveis pela obra. Foi quando os olhos se marejados de emoção e a lágrima de gratidão rolou no rosto. Inúmeros foram as graças e os agradecimentos proferidos pela senhora. E vamos reclamar.
É por essas e outras que adoro percorrer esses caminhos de minha Alagoas. Por aí conheço gente, vejo a realidade do povo, as histórias e as vidas que vagam. É bom e segue mais uma estação, que venha a próxima viagem.
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