
Diariamente nos deparamos com centenas de pessoas, e de uma forma ou de outra elas influenciam em nosso viver. Seja pelo ódio, ao se deparar com a figura tentar cruzar pro outro lado da rua; ou pela afeição. Mas não é bem por aí que quero começar. Gostaria debater brevemente aqui no blog, como certas pessoas tem o poder de nos influenciar.
Ídolos, herois e demais figuras elogiáveis provocam em nós uma admiração que motiva aquela expressão: "como faço pra me parecer com ele?" São qualidades que chamam a atenção e despertam o desejo de ser igualzinho ao fulano. Não, longe de mim ter a força do Super-Homem, as habilidades do Batman, o poder de regeneração do Wolverine, não, não quero.
Por outro lado, é até mais comum a gente esbarrar com espelhos do mal. Pessoas que são a figura personificada do capeta na terra. Veio pra fazer o mal. Enfim, criamos ojeriza, nojo, asco. Esse tipo de figura é mais comum do que se pensa. Trabalho, escola, faculdade, até na família tem, ou seja, estamos cercados de exemplos a não serem seguidos.
Mas graças a Deus temos anjos que nos protegem, e Ele mesmo se encarrega de nos cuidar. Porém, venho aqui falar de um homem que aos poucos se tornou mais que um exemplo: um objetivo. Neste domingo, 17, meu velho pai comemorou 53 anos aqui na terra. E não perdi a oportunidade de declarar o amor que sinto por ele. Como de costume o pranto rolou, emoção aflorada. Falar é até fácil pra mim. E seguir seu exemplo de justiça, honestidade, cautela, solidariedade com o próximo, e fraternidade, é minha missão. Bem, a modéstia me permite dizer que tenho seguido a risca essa meta.
O curioso é que esse reconhecimento veio apenas após a separação dele com minha mãe. Ficamos mais próximos, mais ligados e preocupados um com o outro. Nosso cordão umbilical brotou novamente. E pelo jeitão calado dele de dizer o que é certo e errado foi a minha maior escola. Nessa didática aprendi tudo que sei. A pessoa que sou devo a eles(pai e mãe), mas cada um teve um jeito particular de ensinar as coisas da vida. E apenas com o seu silêncio aprendi que podemos aprender muito apenas com um olhar, poucas palavras.
Entretanto a maior lição que aprendi com ele foi a de cultivar amizades. E isso sei fazer muito bem. Ter amigos em todos os cantos e em cada lugar plantar uma semente do "volto logo". Deixar sempre seu sorriso como marca, e nunca uma cara emburrada. Um aperto de mão firme, e sempre olhar no olho, é fundamental. Curtir o hoje, e deixar de lado o amanhã. Ser jovem até quando o corpo não mais obedece a mente. Ter no brilho do olhar e num estampar de um sorriso a maior arma para desarmar os inimigos.
Muito eu puxei dele, detalhes que até fogem de meu entendimento. É natural. Gestos, manias, costumes. Muito peguei dele. Até a vontade de ganhar ele soube aumentar em mim. Quando jogávamos futebol, ele nunca me chamava para jogar ao lado dele. Sempre eu atuava no time adversário. E ele sabia que aquilo pra mim era um sentença, uma desaprovação, e não confiança em meu futebol, eu achava. Engano. Era um modo de provocar em mim um guerreiro que ultrapassasse cada sentimento desse, e jogasse mais do que eu poderia imaginar. Aquilo me motivava. Quando fazia um golaço, um drible, eu socava com raiva e vibrava como em final de mundial. Era minha vitória particular. E contra ele. Mas que besteira, ele mesmo vibrava, e ria. Pô, ele mandava os outros jogadores cobrirem meu lado esquerdo (sou canhoto com a perna). Eu ficava puto! Era tudo premeditado. Era um treinamento para sempre ser o melhor.
Esse é meu velho pai. Erros? Todos cometemos. Se ele está arrependido por um passado não tão honroso do ponto de vista paterno, não sei. Mas não tenho dúvida. A missão dele como pai foi cumprida com louvor homérico. Pois hoje mais do que nunca, e amanhã terei mais orgulho ainda dele. Bato no peito e digo o quanto amo ele. Pai te amo...e feliz aniversário




