sábado, 8 de março de 2014

Ôôô dorzinha miserável


O que é a saudade? Quem nunca a sentiu? Fico sem entender como apenas na língua portuguesa esse sentimento tão forte está registrado. Será que o britânico não sente falta de uma música, ou será que o japonês não tem aquele vazio no peito deixado por quem já não mais está ali perto? Creio que eles têm dentro de si aquele peso, se tem nome ou não, pouco importa.

Uma pessoa querida que se foi, um lugar, um tempo gostoso de nosso passado recente ou mais pretérito. Uma canção nos transporta para tal lugar, evento ou situação. Um cheiro, um aroma nos faz lembrar do que tentamos fugir por algum motivo. Ou pura e simplesmente, o tempo levou de nós para nunca mais aquela sensação de alívio de estarmos com tal pessoa, por exemplo. Uma foto, registro tácito daquilo que vivemos e não mais se repetirá. Lástima, azar para nós que lamentamos dia após dia daquilo que perdemos.

Tem gente que tem saudades do cheiro, do jeito, do olhar, do toque, dos beijos. Saudade da presença ou até da ausência consentida, pois ela tem hora para acabar. O que insiste em não passar é a dor infinita dessa bendita saudade. Ela te rasga por dentro e espreme de nossos olhos as lágrimas mais contidas. Ela nos deixa zonzos de dor, atônitos e inertes para tudo. O mundo para, deixa de existir quando estamos revivendo - dentro de nós - instantes que não temos mais. Momentos, histórias, sorrisos, lágrimas compartilhadas e jamais esquecidas.

É o puro sentimento de perda, falta, ausência, amor pelo que se deixou para trás. Apesar da origem latina da palavra - solitas, solitatis, relacionado a saúde ou saudar - foram os portugueses que difundiram o referido banzo. Ao colonizarem a Terra de Vera Cruz, os patrícios narravam a saudade da terrinha de além-mar. Era uma melancolia braba..affff....imaginem só um oceano de distância. O que não é diferente de hoje, onde mesmo com celulares, redes sociais e todo esse aparato tecnológico não mata a tristeza dos saudosos.

Ô malvada distância, atroz orgulho, tempo cruel. Vocês só fazem aumentar meu pranto. Heróis são aqueles que resistem a ti saudade. Arrojados são aqueles que te jogam pro lado e tratam de acabar contigo. Os melancólicos, como eu, apenas sentem, chegam até a curtir, pois sabemos nós que se existe saudade é porque algo de bom ficou, respeitemos. Portanto, sinta saudade, mas se quiser acabar com ela, corra atrás ou se acostume a conviver com ela.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Coitado do português



O Caminhos de Minutos nunca foi lá um recordista de acessos, nem essa é sua missão; porém, seu retorno tem sido gratificante. Leitores têm me procurado para agradecer pela volta deste espaço, para a minha surpresa, lógico. Aqui converso, arengo, emito minha opinião e escrevo algumas bobagens que entendo como relevantes para alguém por aí.

Cinema, viagens, política, comportamento, crítica; não se trata de uma revista ou algo do gênero. Nada disso. Porém, venho agora criticar minha categoria. Em papo informal com um colega jornalista chegamos a constatação lamentável que não há um registro autêntico, isento e, fundamentalmente, bem escrito sobre o meio jornalístico alagoano.

Seja um blog, um perfil no Facebook, algo que aproxime ou apenas conte histórias do jornalismo caeté. Se seria um bestiário da imprensa como há por aí? Bem, não sei. Porque seria um bestiário? Ora, gente, temos profissionais da mais alta qualidade. Gente bem capacitada, mas em contraponto, há colegas que deixam muito a desejar. E a decepção é em todos os sentidos, desde o simples trato com o língua pátria - concordância verbonominal, artigos, plural, singular, vocabulário pobre, para não dizer medíocre - até a falta de criatividade e desenvoltura em pautas e por tabela, nos textos por fim.

É triste só ver nos sites noticiosos a reprodução exata de releases que se transformam em matérias por um passe de mágica. Não há apuração. Prevalece o 'disse-me-disse', o 'ouvi dizer' ou ainda o 'fulano falou'. Ora, gente, tratamos com vidas, com gente, pessoas, leitores que pensam e sabem discernir o certo e o direcionado. Não há mais tolos.

Basta ler obras literárias ou até bulas de remédios para se obter uma carga textual básica, cronologia de pensamento; ideia até! Não é tão difícil, juro. Há quatro anos escrevi um texto semelhante, criticando os erros ortográficos primários oriundos dos dedinhos de jornalistas que passaram pelas cadeiras da academia. Como era esperado, fui criticado. Bobagem. Não ligo. Prefiro enfiar o dedo na ferida e provocar os profissionais para que eles percebam sua importância social.

Reza a lenda que o experiente jornalista alagoano Márcio Canuto, da Globo São Paulo, ainda como editor do jornal Gazeta de Alagoas, pedia para o auxiliar de serviços gerais da época ouvir seus textos para saber se o conteúdo ficou compreensível. Ótimo! Exemplo a ser seguido. Ahhhh se todos assim fizessem; estaríamos salvos.

Seria uma verdadeira boia salva-vidas para o português. Não venham com a velha desculpa da pressa, nem com aquela outra de que não tem editor de texto - o profissional - para corrigir. Por isso que até contesto alguns prêmios jornalísticos distribuídos a torta e à direita. Aí é como digo, 'vemos o jornalista de verdade, o repórter autêntico e com texto final sem alguém para revisar seu texto'. Pena que em Alagoas poucos podem se gabar deste status.

Quem não se recorda do 'Imprensa que é bom'. Perfil no Twitter que direcionava mesmo os erros da mídia alagoana, entretanto com muito bom humor. Precisamos sim de uma obra que registre nosso dia a dia, nossa labuta árdua, os obstáculos. Chefes acéfalos, burros e sem conhecimento mesmo, repórteres sem conhecimento, assessores que privilegiam meio A ou B, jornalistas que joguem charme para conseguir vantagem - para não dizer outra coisa -, guerra por celulares e computadores de boa qualidade - quando tem. Enfim, não matamos um leão por dia, enfrentamos um zoológico inteiro.

Não estou jogando pedras, nem afirmando que sou o maioral, por favor, gente, sem baixaria. É apenas mais um alerta para se capacitarem, abrirem o olho, que sejam mais preocupados com seu material jornalístico, 'penteiem' mesmo, alisem, cuidem, zelem por seus textos, procurem mesmo um dicionário, o que há de mal? A sociedade agradece (novamente)...

sábado, 1 de março de 2014

Carnaval? Não, obrigado



Ai, ai, ai, ai....o bom e velho Carnaval. Para muitos, a Folia de Momo começou ontem e a animação prossegue nos próximos dias até, quem sabe, a Quarta-feira de Cinzas. Para alguns mesmo, pois nem todo brasileiro curte a muvuca que se estabelece, admito sou um deles. Nunca fui um folião exemplar. Por ser mais reservado prefiro a tranquilidade de uma boa cama, filmes, livros, praias desertas - mais difícil - tudo longe das multidões sedentas por uma lata batendo. Nada contra, claro; cada um com sua opção de diversão.

Este ano não será diferente. Meu novo trabalho exige que fique em stand by para possíveis acionamentos. Não pensem que achei ruim não, claro, a minha esposa sim, óbvio, pois pode ficar sem mim por algum tempo. Porém, prefiro estar com a mente ocupada, correndo pelo Estado a fora por informação.

Alguns que me conhecem pode até terem histórias comigo de carnavais passados. As tive. Algumas cômicas, bebedeiras homéricas, viagens, decepções amorosas, claro, quem nunca teve? É quando as leis são revogadas, a folia vira condição social e onde os corpos se permitem mais facilmente. Tudo está propício a novos relacionamentos, histórias começam, outras terminam e tudo por um período de quatro dias de abolição do seu modo de viver cotidiano. Você literalmente vira outra pessoa e faz coisas que jamais faria em outras datas.

Parece até que vivemos em uma nova sociedade, onde paredões de som pipocam nas ruas, o beijar na boca toma o espaço do aperto de mão, permanecer bêbado é perfil básico; horários de café, almoço e janta são abolidos. Tudo, mas tudo mesmo por esta festa que insandece meio país.

É bom, é lindo, gera milhões de reais, assim como bebês de novembro e dezembro, o Carnaval é assim. Entre ressacas físicas e morais, prefiro minha cama, meu espaço, minha paz, meu trabalho. Lembremos, estamos em ano eleitoral e eu serei bem requisitado este ano, disso eu sei. Por fim, quem for pra folia, cuidado, vá com calma, existem outros dias no ano, curta, aproveite, mas.....deixa pra lá...você não vai se lembrar mesmo depois do Carnaval.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Pensa bem antes de falar



A hora e o lugar certo para falar. Poucos têm essa habilidade de saber dosar emoção e palavras. Elas são como flechas e não voltam. Essa é bendita inteligência emocional que tanto se fala, segredo do sucesso de grandes líderes. Não é fácil compreender, analisar e escolher os verbetes certos para disparar em momentos de alta tensão. Em instantes, o oxigênio falta no tutano e o raciocínio se vai.

O remédio para acabar com isso é aquela boa e velha respirada bem fundo, outros podem rotular como aquela 'pegada de ar' - como chamamos aqui no Nordeste. Outros se utilizam do rodeio de palavras, tangiversam por outros assuntos para só a partir daí responder, resolver, intervir na situação em questão. É bem melhor!!!

Geralmente se fala muita bobagem, pessoas 'estouram', vomitam declarações que vão atormentá-te pro resto da vida. Ô vida!!! Calma, pessoal. O blogueiro aqui que vos escreve tem dentro de si ambos os temperamentos. Será que isso faz de mim um bipolar? Não sei, confesso.

Por onde passei galguei e consegui subir em cargos e posições por minha liderança. Não, não, sem falsa modéstia. Sempre comecei de baixo e ascendi com dedicação, empenho e liderança. Por outro lado, mais novo, fui sim explosivo. Falava muito o que vinha a cabeça. Temperamental ao extremo. Passional. Aprendi com a dor. Como mulher de malandro apanhei muito para aprender como e quando agir. E ainda estou aprendendo, claro.

Respira, acalma-te, organiza as ideias e nunca, nunca, bata de frente, evite o embate. Como também não fale o que todo mundo quer ouvir, seja você, seja forte, pontual, maleável e preciso. Mas nada de ser o 'sabichão', saber de tudo afasta as pessoas, esteja sempre aberto a ouvir, aprender e apanhar também, por que não?

'Homens bomba', pela essência da expressão, tem vida curta; portanto, na vida profissional e pessoal também, seja mais conciliador, saiba escolher o momento exato para se pronunciar, deixa o cérebro se oxigenar e assim você ganha consistência e notoriedade para opinar. Dê o tempo certo, devido e salutar para ver a situação de modo geral. Escolha bem as palavras, pois o poder delas é devastador.

Por fim, para pirar nosso cabeção entenda que sua pontuação bem pensada, embasada, refletida, não vai agradar a todo mundo. Sempre terá alguém para se opor a ti. Graças a Deus....viva a democracia! Esteja pronto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

No mar azul



Você olha de um lado só vê água, no outro também; para cima, o azul clarinho do céu; e aos seus pés, o azul escuro do mar. Situação meio desesperadora, certo? Errado! Cenário perfeito para pensar, refletir, fugir do sufocante cotidiano. Curioso e paradoxal você utilizar um espaço irrespirável humanamente falando para fugir do dia a dia que tira seu ar, sua paciência, ou pior seu ânimo de viver.

Foi lá embaixo, nos confins do mar que aprendi a ter mais paciência, olhar de um modo mais amplo - se isso não rolar lá embaixo um peixe maior que você te pega, ou te dá um baita susto. Melhor, o mergulho me deu algo além do respira, prende, solta, enfim, conheci outro mundo.

O cenário azul que nos é apresentado quando colocamos o cilindro é um absurdo de beleza. As cores mais vivas, as formas de vida, como tudo é mais lento, mais vagaroso e sem pressa. Pôxa, que exemplo! Pra quê tanta agonia, correria, pois quando você submerge lá está aquele mundo azul de braços abertos pra ti.

O mergulho me fez respirar mais diante dos problemas, enxergar que aquilo não é o fim do mundo. É lá que penso melhor em meu viver, nas minhas ações, em minhas decisões, repenso, repasso. Graças a este mar, tão maravilhoso e intenso que nos últimos meses de grandes frustrações, me fez manter o foco num amanhã bem melhor. Obrigado, mar!

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A paz que eu quero pra mim

O que é a paz para você, caro leitor? Para muitos é uma praia deserta, para outros é ler um bom livro sem interrupções. É fazer planos sem ter com o que se preocupar. Coração tranquilo, sem aperreios, olhar sereno, sorriso leve, meio que permanente no rosto. As variações de paz são abundantes e que bom que assim funciona.

Para muitos a paz só é alcançada na eternidade, bem além desses anos que vivemos aqui neste plano. Para mim, ter paz é poder andar sem mágoas, sem histórias inacabadas, sem inimigos, enfim. Fato esse quase impossível. Já fui muito intempestivo, ninguém me rebaixa, pouco político e isso faz inimizades brotarem aos montes. Sinto por ser assim, mas nada posso fazer. Ou posso? Posso sim...odeio aquelas mensagens interpretadas de modo equivocado. Gestos e palavras mal compreendidas derrubam em suas costas um fardo enorme. A dor daquilo que você não quis cometer ou o fez por outro motivo.

Ontem, fiz uma breve avaliação dos inimigos que acumulei. Não só dos desafetos, mas dos amigos que ficaram pelo caminho. Pessoas queridas, que de certo gostaria de tê-las em meu convívio, mas por fofocas e intrigas, algo não deu certo. E o dito pelo não dito ganhou ares de verdade suprema e irrefutável. Pena, pena mesmo.

Histórias sem fim são como fantasmas que insistem em retornar nos momentos mais impróprios. Se elas voltam não são tão inapropriados assim, é o clamor por um ponto final ou reticências, uma definição. Já passei por isso inúmeras vezes e sem dúvida alguma a incerteza nos mata a alma, deixa-nos como zumbis rastejantes no mundo. Sem rumo!

Para mim paz é isso. É um bem sem fim dentro de nós, mesmo que eu tenho mais de 2 mil seguidores em redes sociais, centenas de amigos, interminável lista de whatsapp sempre um fará falta. Por favor, se é algo que meus 33 anos de idade me permitem, é dar conselhos; e que recebam assim: não deixe arestas para o tempo ou o futuro resolver, queira sua paz já! Se não foi bem compreendido...tudo bem. Você tentou, buscou foi atrás, paciência.

Não dê trela a picuinhas, a histórias pequenas, prefira viver são, sem brigas, mas que haja lutas por ideais, por felicidade, por paz! É por meio dela que o equilíbrio vem, vem e fica para sempre.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

De novo




É impressionante como o ser humano gosta de compartilhar momentos e sentimentos. Em tempos de redes sociais bombando de informações todo mundo manifesta sua necessidade cotidiana de mostrar o que fez, por onde passou, o que pensa, enfim, novidade alguma; por isso que a partir de hoje resgato o Caminhos de Minutos.

Não que os últimos anos não tivessem sido publicáveis ou o tempo tivesse me consumido ao ponto de me afastar deste espaço, antes tão querido. Não. Sei lá, não sei ao certo, mas quero só recomeçar. Faz parte do que estou passando hoje, iniciando uma nova caminhada, conhecendo gente nova, novos e velhos lugares sendo visitados. É gente, voltei a andar por aí vendo e conversando com gente; acho que meu ostracismo terminou.

Para quem não sabe, esse blog foi criado para contar minha mudança para Brasília. Meu dia a dia lá na capital federal, meus dias sozinho renderam posts interessantes. Pois bem, prometo posts bem legais também.

Ao voltar a viajar pelo interior alagoano recuperei sensações adormecidas. Aquele instante em que ficamos olhando para a paisagem, geralmente árida, sem vida, e paramos no tempo. Pois bem, assim ocorreu e vai rolar pelos próximos meses, sem dúvida. No calor do semiárido alagoano vi pessoas com o sorriso no rosto, com tão pouco, com tantos sonhos; estava com saudades dessa receptividade, sem você dar nada eles te dão aquele sorriso autêntico que você não encontra nas capitais e cidades mais desenvolvidas do país. Sinto-me bem. Precisava desta injeção de 'gente' em minha vida.

Logo, logo um novo post sobre as recentes viagens.

P.S.: Desculpem pelo post....vou retomar meu jeito de escrever logo, logo.