segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As herdeiras de madame de Bovary


Vamos combinar, na lata, mulher quando se reúne pra papear, jogar conversa fora, é bem pior que homem. Polêmico, né! Elas podem nem admitir, mas no fundo, no fundo, elas reconhecem.

O homem quando senta, por exemplo, na mesa de bar, fala de carro, política, futebol, e lógico, mulher. Já as donzelas, bem, as moçoilas vão bem além, conversam sobre sexo, bolsas, sexo, sapatos, sexo, gatinhos, sexo, roupas, sexo, falam mal das inimigas, sexo... - que maldade a minha, querendo polemizar logo numa segunda-feira, meu Deus!!!

Pôxa, vamos aos fatos. Pode pegar as revistas voltadas para o público feminino e vejam as capas. De dez capas, dez tem aquelas dicas: "20 dicas para satifazer seu homem na cama", "Como deixar de ser frígida", "Simpatias para amarrar seu homem", e a clássica, "Como chegar ao orgasmo" ou ainda "Descubra seu ponto G".

A repressão social contra a libido feminina obviamente sufocou elas por séculos. Demonstrar que a colega tem desejo, curte e adora sexo era sinal de vagabundagem, libertinagem e sodommia. Inimaginável há 50 anos atrás no país e até hoje em locais como a nossa Alagoas. Até agora...se a menina disser, na altura de seus 20 e poucos, "eu gozei", pronto, é o fim do mundo. E ainda, se associar os seguintes termos: "eu peguei", "sexo sem compromisso", "fiquei com dois", e alguns outros termos proibidos, já viu, ela vai ser rotulada como a nova madame de Bouvary.

Hoje em dia a mulher é mais liberal sexualmente falando, tanto quanto o homem moderno. Muitas falam abertamente se o pinto do cara é pequeno, se ele tem bunda mucha ou só dá uma. Entre elas, tudo vale. Não é pornografia. É liberalismo mesmo. E isso é bom, sim! É cabeça aberta. Sem as amarras sociais do puritanismo falso e retrógrado.

Parabéns, meninas...e sem medo...falem mais. Sem pudor, mas, calma nessa hora. Equilíbrio e prudência sempre. Vê lá, heim, vê lá....

sábado, 3 de dezembro de 2011

Vamos assistir um filminho


Fiquei de comentar isso há um tempo, mas só agora tô podendo escrever sobre a falta de criatividade hollywoodiana. Nos últimos dois meses chegaram no circuito comercial três filmes com o mesmo tema: sexo sem compromisso já! Amizade Colorida (Mila Kunis e Justin Timberlake), Sexo Sem Compromisso (Natalie Portman e Ashton Kutcher) e Amor de Outras Drogras (Jake Gyllenhal e Anne Hathaway) figuram nas telonas cenas tórridas de pegação sem qualquer pudor.

O "pega e não se apega" esteve bem presente nestes filmes, porém eles parecem que querem dar uma lição aos pegadores de plantão. Um sempre acaba se apaixonando e arruinando a relação sem compromisso. Eu vi os três filmes e pude perceber. Ashton, por favor, deixe de atuar, Natalie Portman e Anne Hathaway, continuam maravilhosas - em todos os sentidos, e Mila Kunis, de boa, põe silicone aí você detona Angelina Jolie.

Nem a atuação pode ser levada em consideração. Não teve aquela cena e tal digna de uma indicação oscariana. Longe disso. Os filmes mandam o recado: pegue, transe, faça o que for, mas não se apegue, mas se for se apegar.....bem....aí é de cada um. Como varia de caso a caso, só o par pode sentir se seu parceiro é digno de uma chance e mudar de status civil.

Os filmes são ideias para assistir com alguém que você quer se chegar. Já pensou, você chegar pra gatinha e soltar: "Topa assistir Sexo Sem Compromisso?", "Você quer passar aqui em casa pra ver um filminho. Qual é? Ah, é o Amizade Colorida"....Tentador, né! Dica pra hoje....

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ahhhhh, a polítca, ai ai ai


Mais uma semana bem movimentada do ponto de vista político. E os prefeitos e ex-prefeitos foram o motivo de minha correria durante a semana. No começo dela, o ex-prefeito de Satuba, Adalberon de Morais ganha um habeas corpus e alcança sua liberdade após quase dez anos preso, sem ter ao menos direito a um julgamento ou a marcação de um deles. Para quem não se lembra, Morais responde por participação em, pelo menos, quatro homicídios.

Por outro lado, o prefeito preso de Traipu, Marcos Santos, ganha mais uma ação do Ministério Público para sua coleção de crimes. Gosto de lembrar o que o promotor Luiz Tenório disse há pouco tempo atrás. "Tudo que é de irregularidade no serviço público foi cometido na gestão de Marcos Santos em Traipu". Maravilha.

Os dois casos são sui generis no país. A eles somam figuras como Cícero Cavalcante, em São Luiz do Quitunde, e outros mais que respondem diversos processos criminais e de outras naturezas. São gestores que são manchados na justiça, porém em se candidatando em qualquer cargo público, ganham uma vantagem, se não ganharem o pleito de lavada em suas regiões.

Para nós que estamos de fora parece absurdo um político envolvido em morte, roubo, assaltos, falcatruas das mais absurdas, serem endeusados em seus municípios. Pode até funcionar o "roubar, mas fazer", atribuido supostamente ao deputado paulista Paulo Maluf, também idolatrado em certas partes da capital paulista.

Esta semana termina então com dois exemplos que fogem a essa regra covarde. Tive o prazer de entrevistar o ex-prefeito de Maceió, João Sampaio. Sem passar banha ou qualquer tipo de bajulação, vi diante de mim um homem com a mente tranquila, sem pesos na consciência, reconhecido por sua probidade e respeito ao próximo.

De conversa boa, Sampaio e eu fizemos de um bom papo uma entrevista que deu gosto de fazer. Do mesmo modo, Djalma Falcão. Outra figura folclórica da história de Alagoas. Porém, em virtude de horário, não tive o prazer de entrevistá-lo, a missão ficou para meu colega Victor Avner. Mas me deleitei com a força das coloações do ex-prefeito.

Vendo as fotos da entrevista, senti-me próximo dele. Conversei com ele por telefone e do outro lado da linha, sua voz chegava ao meu ouvido, lenta, rouca, mas altiva - como sempre foi. Ambos, Sampaio e Falcão passaram para mim a receita para que um homem público seja lembrado pela eternidade. Respeito, retidão, paixão pelo que faz e acima de tudo, honestidade.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Você pra lá, eu pra cá


O milagre da vida se manifesta das maneiras mais inusitadas, inesperadas e surpreendentes. Tanto para o bem, tanto para o mal. É a dicotomia da existência. Dia após dias perdemos pessoas, amigos, conhecidos que nos afeiçoamos, criamos laços, carinho, amor, até ranso, ódio, o que for. São sentimentos. E por um modo ou de outro essas sensações fazem falta.

Estranho você sentir falta da coisa ruim que sente por outro? Isso se chama perdão. O ranso desceu, esvaiu-se, foi! E calma, lá. Não é por que estamos próximos ao Natal que amolessemos o coração. Sou contra esse tipo de coisa. O entendimento, a compreensão deve permanecer em nós o ano inteiro. Porém, o que vim comentar hoje é a reciclagem de nossos amigos. Por diversos motivos eles nos deixam, tomam caminhos diferentes, ganham outros companheiros, sentem por eles igual ou maior apreço por ti e assim segue a vida.

Entretanto, ao mesmo tempo que você perde uma pessoa querida de sua convivência. Outra chega em seu lugar. Pelo menos é o que esperamos. Dói. A gente sente. É impossível sermos indiferentes a isso, podemos até tentar ignorar. Tentar esquecer, mas, em vão....um dia você vai lembrar de algum dia distante e vai dizer:"pôxa, fulano estava na hora e tal...". Por favor, não pensem que tal comentário se refira a ex-namorada, casos, rolos e afins...não, refiro-me a amigos, companheiros e companheiras que um dia compartilharam conosco sorrisos e lágrimas.

São aquelas pessoas que estão em nossas fotos amareladas. São elas que estão em nosso Twitter, no Facebook, até no morto Orkut....são elas que compõem nossa existência e contam nossa história.

Vida que segue....

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Que vida...


Antes de mais nada perdão pela ausência. Meu sumiço tem motivo, só não tem nome. Aliás, diversos nomes. Inspiração, tempo, circunstâncias, temas, enfim, falta deles. E podem ter certeza uma imensidão de coisas aconteceram e aos poucos vou contando para vocês. Primeiro vou contar minha experiência com o mundo cão, da violência, do matar e morrer.

No domingo, fiquei de plantão no jornal, em especial para o site Tribunahoje.com. Geralmente as tardes de domingo de futebol são tranquilas e calmas. Ledo engano. Primeiro homicídio do dia e meu também. Jamais tinha feito cobertura de um assassinato. Nem nos anos que passei na Tv Pajuçara - quatro anos, onde lá no programa Fique Alerta - programa policialesco que cobre este tipo de matéria. Uma febre no país.

Pois bem. Sempre quando vou a alguma pauta já fico tentando advinhar a história. Por meio da experiência, tentar antecipar o que os entrevistados vão falar. Prever algo. Porém, neste momento eu não pensava em nada. Não sabia o que iria encontrar. E quando isso acontece o juízo manda o recado: calma.

Ao chegar no local do crime, cumprimentei os policiais e fui dialogando numa boa e pisando em ovos. Conversando, trocando informação. Sorte que peguei um pm educado e bem cortês. Ao contrário da pauta seguinte....chego já nela. Era o seguinte. Jovem de 24 anos, casado com uma moça de 16. Traficava. Foi executado com três tiros de pistola na cabeça. Bem, a jovem conseguiu fugir ilesa. Entretanto, o suposto traficante não teve a mesma sorte.

O pm perguntou se gostaria de tirar foto do defunto. E fui. Entrei na residência do morto. Pôxa, tirei as fotos. Logo após me peguei pensando que estava ali, entrando na história de alguém em sua morte. Diante de uma pessoa que jamais tinha visto, mas estou registrando seus derradeiros instantes, escrevendo sobre seu legado. Dentro de sua casa, respirei seu mundo. Senti-me estranho. Vi no rosto das pessoas fora da casa um olhar de alegria branca pela morte do traficante. Uma satisfação. Uma vingança às avessas.

Após este caso outra surpresa. Mais um crime. Outro homicídio. Desta vez um mistério prévio. Uma pequena empresária aparece morta em sua garagem. Seu corpo estava de bruços, mãos para trás, pouco sangue. Quem me recebeu no local do crime, um pm mal preparado, insatisfeito com o trabalho, mal humorado, irônico e mala. Identificou? Tem muitos, né. Infelizmente. Então, de início o Sherlock disse que poderia ser suicídio. O espertão tirou a conclusão antes da Criminalística chegar.

Todo mundo que cobre Polícia pede para jamais cobrir algo que envolva família. Não foi o meu caso, mas passou perto. Susto! No local, uma tia minha lá. A vítima era neta do meu tio - casado com minha tia. Tio Mário foi meu informante e eu seu confidente. Seu pesar e seu lamento ouvi de pronto, porém não poderia esbravejar no texto todo seu sofrimento. Triste demais. O IC fez um levantamento inicial e ela teria sido esganada por meio de uma 'gravata' e seu rosto foi jogado contra o chão diversas vezes.

Mais uma vez, me afundei na reflexão. Rezei pelas duas almas que foram pro andar de cima. Ainda bem que cubro Política, pois Polícia é fogo. Você se brutaliza, a violência te brutaliza. Uma dureza!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Você nunca mais vai ler jornal como antes...."


Como em todo segmento mercantilista, o diferencial rende grana. A comunicação funciona do mesmo jeitinho. E diariamente, o setor comercial de sites, jornais, emissoras de Tv e de rádio quebram a cabeça pensando em como faturar mais, porém o foco jornalístico não é esse. A jogada é deixar o jornalismo mais atraente, mais sedutor. Nem toco agora na questão do texto literário, no 'shownalismo', não, destaco o trabalho de nossos colegas gráficos, diagramadores que dão uma sobrevida ao bom e velho folhear de páginas.

Alagoas está vivendo um novo boom na diagramação de seus três jornais diários. Isso acontece de dez em dez anos, dando um alívio no coração de alguns especialistas em estética de páginas, em outros cause um infarte, gargalhadas ou ideias bem boladas, mal usadas.

O Jornal saiu na frente e mudou seu lay out. Material limpo, valorizando o branco, pouco tempo, mais imagens, bem legal, mas como jornalista - leigo em diagramação - a ideia foi ótima, mas ainda vão demorar um pouco a utilizar melhor os espaços e fontes. A Gazeta de Alagoas promete inovar e em novo formato, diminuir espaços. A Tribuna Independente também está preparando novo material gráfico para não parar no tempo.

Todo fim de semana, para não dizer todo dia, eu vou bisbilhotar a diagramação dos jornais pelo país a fora. Lógico, suas versões em flip ou pdf. Virei fã incondicional do jornal O Povo, do Ceará. Eles brincam com as páginas. Leitura limpa, imagens, fotos nítidas, bem embasadas, ícones, traços, réguas bem trassejadas, cores vivas demarcandos editorias e assuntos. Eles acrescentam sempre gráficos, infográficos, elementos, enfim. Adoro a leitura e o visual. Recomendo obviamente.

Aliado a uma lata legal, os grupos de comunicação aliam a isso produtos que vão agregar ao seu comercial, geralmente são sites jornalísticos, rádios, empresas de assessorias, o que for. Tudo que encher ainda mais o cofre do patrão e dê mais trabalho pro peões. A tendência é criar o formato híbrido de jornal no site. Você pagar para ter acesso a uma informação de qualidade e exclusiva.

Veja trecho extraído do Observatório da Imprensa: o balão de ensaio do chamado paywall “híbrido” veio no primeiro semestre, quando o New York Times fechou o site e, surpresa geral, obteve resultados positivos nos primeiros meses da experiência. Para conquistar 40 mil novos assinantes digitais, o NYT adotou a seguinte estratégia: manteve o acesso aos 800 mil assinantes da versão impressa e ofereceu como diferencial 20 textos exclusivos mensais. Hoje são 324 mil leitores da versão online, número que contribuiu para que o faturamento do terceiro trimestre do NYT alcançasse US$ 15,7 milhões, contra prejuízo de US$ 4,3 milhões no mesmo período de 2010.

No Brasil, a experiência cheira a demissão veja outro trecho: nos primeiros dez meses do ano, houve registro de várias demissões em boa parte dos grandes veículos da mídia impressa, em especial no Grupo Estado, responsável pelos jornais O Estado de S. Paulo e Jornal da Tarde. A principal exceção foi o Valor Econômico, que reforçou a sua equipe online quando do lançamento de seu novo portal. Além do conteúdo disponibilizado na versão impressa, a plataforma digital conta com recursos multimídia, gráficos, tabelas e material exclusivo. Para a jornalista Adriane Castilho, trata-se de um “modelo sensato”. “O leitor está sujeito a uma chuva de informação e acredito que tende a valorizar o conteúdo diferenciado, especialmente se vem acompanhado de reflexão e opinião. Penso ainda que parte dos leitores deseja uma espécie de 'curadoria' que ajude a percorrer esse universo de informação selecionando o que parece ser mais relevante.”

Preparem-se....já vivemos tudo isso e nem percebemos.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Pressão pouca é bobagem


Jornalista é um bicho tinhoso de domar. E quando ele tem que seguir regras então...lascou. Horários, não falar de sicrano, beltrano, editor na cola, pressão, prazos, pautas, enfim. O mais riponga dos jornalistas defende a liberdade total aos canetinhas e suas canetadas, porém se quer liberdade, compre um jornal, monte um site ou consiga uma rádio - Tv é mais difícil, convenhamos.

Mesmo tendo seu próprio negócio de comunicação, ele terá que baixar a bolinha com seus anunciantes. É não tem jeito, escolheu ser jornalista, opitou por viver sob pressão todo dia o dia todo. Até perto de dormir você fica imaginando se algum ministro vai cair, se vão matar algum prefeito, ou se algum secretário de Estado vai ser pego cobrando propina.

Tudo bem que a galera de assessoria de imprensa não tem essa cobrança, mas como se sabe assessor é assessor 24 horas por dia. Entretanto, o povo de redação recebe cobrança em demasia. O repórter é o carregador de piano que recebe a carga do editor de sua respectiva Editoria, e ele por sua vez, recebe pressão do editor-geral.

Sem contar a exigência pessoal em fazer um material interessante para a edição do dia. Claro, aquele repórter que preza por seu nome e sua reputação. A vida de jornalista é essa, gente. Quem tá na chuva é pra se molhar...quem mandou não estudar?