terça-feira, 9 de novembro de 2010

Não negue


Vi em algum lugar que a negação funciona como um pára-quedas depois de notícias inesperadas e chocantes. Você pode até não acreditar, não entender, não aceitar. Mas não podemos impedir o andamento das coisas, e como forma de defesa 'negamos'. Sonegamos a verdade em nome de sei lá o que, mas simplesmente tentamos inventar uma realidade alternativa para podermos entender esse simulacro fantasioso, que nos apresenta como fato.

Negar que o futuro é incerto, que o céu é azul, que eu sou você amanhã, que meu eu não bati com a sua cara....enfim...o que for. Diariamente nos deparamos com irrelutantes fatos, mas por um motivo bôbo, os desconhecemos. Ignoramos para não manchar nossa ideia de verdade. Mas aí vem aquele bizu de meu ex-professor da Teoria da Comunicação. "O que é verdade pra você?", "A sua verdade pode não ser a minha verdade", e por aí vai. Concordo com ele.

Cada um tem sua imagem de mundo e ninguém tem nada com isso. E assim tentamos negar ou fugir de nossos fantasmas reais. Cada vez que encaramos tais verdades, tentando dizer:"É isso mesmo?", caímos literalmente na real. Ou melhor, a realidade cai em nosso colo. Levamos um tapa na cara com luva, não de pelica, mas de chumbo. E dói, dói, muito. O bastante para deixar cicatriz. Para que sempre ao recordarmos instantes semelhantes podemos tirar de nosso backup a lição que assimilamos.

Moral da história: Encare os fatos...aceite, não negue.

Tá chegando a hora


Basta chegar novembro que a vaqueirama inteira e afins ficam num só expectativa. A finalíssima do circuito de vaquejada alagoano deixa todo mundo de olho na Vaqueja do Parque Arthur Filho, em Pilar. Não apenas pela disputa, pelos bois, prêmios e tudo mais. Os shows e todo o circo que envolve o certame fascina até os que não curtem o esporte tipicamente nordestino.

Nos dias 16, 17, 18 e 19 de dezembro, os vaqueiros de toda região vão marcar confronto na pista. Ganha quem estiver em cima do cavalo na corrida de última senha. Isso depois de derrubar o maior número de bois na faixa.

Por ser bem próxima da capital, a vaqueja atrai um grande público. Muitos vão apenas pela farra em geral. Funciona assim. É um monte de vaqueiros endinheirados atrás de boi; só que as patricinhas vão em busca desses brucutus, de olho nas carteiras e pajeros full; por outro lado os garotões que nem curtem forró ou participam da competição vão em busca das meninas que sobram por lá.

Calma, calma, tem gente logicamente que vai ver apenas os shows, só isso. Azarar, flertar e beijar na boca.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O paraíso é aqui


Para variar um pouco, deixei o litoral Norte de lado no último fim de semana fui pras bandas do litoral Sul alagoano. Minha companheira, Heverlane, dividiu comigo a experiência de desbravar uma região que ando muito pouco.

O destino foi Dunas de Marapé, no município de Jequiá da Praia. E dou aqui um testemunho para vcs, não planejem viagens. Se virem...gente, girem o dedo no mapa e sigam o destino. É bom demais seguir o acaso. E foi assim que conseguimos chegar no pequeno vilarejo de 500 habitantes, movimento pelo turismo.

O lugar é tão pequeno que é tudo de um dono só. Pousada, barcos, negócios, lanchonetes...Entretanto, é um paraíso ainda paradoxal. Pois o vilarejo em si não tem quase nada, mas a estrutura turística é altamente organizada. Digo por que o complexo turístico Dunas de Marapé, é encrostado numa reserva federal de mangue. A fiscalização, dizem os nativos, é frequente e muito rígida.

E esse contato com a natureza bruta é que dá a beleza fascinante do lugar. O encontro do Rio Jequiá com o mar é um espetáculo isolado. As areias brancas duelam com o mar na cor. O azul indefinido da água confunde. São quilômetros de areia, quase desabitados.

Em meio a tanta beleza, tenho que registrar com tristeza o comércio do turismo. Lá, assim como em outros pontos turísticos, se você não faz parte de uma excursão você é descriminado. Digo por que procuramos os passeios de quadriciclos, amplamente divulgados em folders e tudo mais, e só por que no dia que fui não tinha aqueles numerosos ônibus, o passeio foi suspenso. Pense num ódio...

Mas fica a sugestão...Dunas de Marapé!

Descobrindo Julieta Venegas


Despretenciosamente estava eu trocando de canais, e parei no VH1. Uma voz me chamou a atenção. Uma menina de jeito latino, voz rouca, bailava pra lá e pra cá, deixou-me curioso. Decidi parar e ouvir. A canção era "Eres por mí", do acústico MTV que a moça tinha gravado.

Cara....adorei! Foi assim que conheci Julieta Venegas. Apesar da aparência, ela é californiana, mas sua origem latina grita, já que a moça cresceu mesmo em Tijuana, no México. Tanto que já foi premiada pelo Grammy Latino por duas vezes. Já acumulando, por alto, 6,5 milhões de discos vendidos pelo mundo.

A música de Julieta Venegas é dançante e ao mesmo tempo dá vontade de sentar e ficar balançando a cabeça pra lá e pra cá. É um rock latino bem ao estilo de nossas bandas brasileiras. Bem embalada, ela mistura ritmos e diversos compositores latinos. Vale a pena!

Ela já gravou com Lenine e Marisa Monte, e para conhecer melhor o som da moça confiram o acústico dela produzido pela MTV. Som legal de se ouvir...

Aí depois vocês me dizem se essa moça da foto num é uma fofa...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Lembrai o 5 de novembro, lembrai...


Os ingleses comemoram nesta sexta-feira, 5, a Noite das Fogueiras, ou simplesmente o Dia de Guy Fawkes. Guardando comparações, a data se assemelha do Dia de Tiradentes para nós brasileiros. Pode até ser uma gafe histórica, mas vejam só.

Fawkes era um soldado católico, especialista em bombas. Participou ativamente da Conspiração da Pólvora, que visava matar o Rei Jaime I (protestante), explodindo todo o parlamento britânico numa sessão ordinária dos lordes.

Assim como o álferes brasileiro, Fawkes foi preso, torturado e enforcado pela Coroa Britânica. Tudo bem que o movimento de Tiradentes era libertário, assim como o do explosivo Fawkes, porém a briga religiosa é que apimenta a história na ilha da rainha.

Quem não se lembra, a lenda de Guy Fawkes ganhou o mundo com o gibi V de Vendetta, de Alan Moore e David Lloyd. Assim como o filme V de Vingança, que estreou mundialmente no dia 5 de novembro de 2005. Particularmente, adorei o filme pelo caricato personagem vivido por Hugo Weaving (O sr. Smith da trilogia Matrix).

No longa, o protagonista é um forte adepto de aliterações. O texto do filme é ótimo. Quase todo em metalinguística. Muito bom. Quem não viu ainda, assista.

"Lembrai, lembrai, o cinco de novembro
A pólvora, a traição e o ardil;
Não sei de uma razão para a traição da pólvora
Ser algum dia esquecida "

P.S.: uma curiosidade. No filme V de Vingança (2005), o facista Adam Sutler é vivido pelo ator Jonh Hurt. Já no longa Enigmas de um crime, o mesmo Jonh Hurt se veste de Fawkes na tradicional comemoração inglesa. Um dia da caça...

Eu tinha que publicar esse e-mail...

Por José Barbosa Júnior

A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.

Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.

Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.

Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso país.

E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão!

Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!

Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país?

Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?

Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?

Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!

E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.

Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2.

Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…

Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…

E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia…

Ah! Nordestinos…

Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?

Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.

Por que não aprendem conosco os batidões do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!

Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!!

Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!

Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!

Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos!

Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.

Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes.

Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”

Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cartas para o destino


Juro que foi pura coincidência. Após ter assistido "Amor em Tempos de Coléra", nesta segunda-feira, véspera de feriado, assisti outro longa sentimentalóide. Não que não goste, adoro filme romântico, ora....admito que faço parte de uma espécie em extinção, mas enfim. Vamos ao que interessa.

"Cartas para Julieta" traz pra tela mais um filme estrelado pela bela Amanda Seyfried - a mesma gatinha de Mamma Mia! e Meu querido John. Desta vez, a loirinha dos grandes olhos verdes dá uma de 'corta-jaca'. Bem, pra quem não sabe, a expressão se refere ao que o bom e velho cupido tá acostumadíssimo a fazer.

Após conhecer os serviços das secretárias de Julieta, de Verona, Itália, a moçoila se depara com uma história daquelas. Ela encontra uma carta que não chegou ao seu destino há 50 anos. Não satisfeita em conhecer a história, ela vai atrás do casal Claire e Lorenzo. Nem precisa, a Claire, já velhinha, vem toda ouriçada em busca de seu "Romeo".

Começa então uma caçada romântica à procura de Lorenzo. E pelo que ficou nítido no filme o nome é como José no Brasil - Todo canto tem, pensa na canseira em achar a figura.

O filme acaba levantando uma discussão que nos deparamos todos os dias.... o incômodo "e se"....putz. Como é chato quando esses dois vocábulos se unem. Quando você pensa num "e se" um mundo de oportunidades ou chances desperdiçadas. Nossas vidas poderiam ser outras.

"E se eu tivesse ido", "E se eu não tivesse dito não", "E se...", "E se...". Pois é gente, um absurdo de chances que perdemos pensando bobagens. Revendo, pesando, considerando se é certo ou não. Claro, não vamos deixar a razão de lado, mas por vezes, a razão atrapalha tanto. É aquele velho deixar pra depois...ai ai ai ai, como isso é perigoso. Por favor, rezem para que não façam essa refelxão num futuro próximo...não percam oportunidade...lutem, não deixem a peteca cair.

Ahhhh o filme...., assistam gente. Todos sabemos como terminam esses tipos de filmes, mas o legal mesmo é ver como se desenrola. E outra...não espere 50 anos pra....

O resto só vendo o filme